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Cibersegurança em aviação: o que os pilotos precisam de saber em 2027

Resposta curta: para um piloto, o risco de cibersegurança em aviação mais frequente hoje é a interferência no sinal GNSS. A IATA registou 57 perdas de sinal GPS por cada 1.000 voos em 2025, o dobro de 2021. Desde 22 de fevereiro de 2026, a Part-IS da EASA obriga os operadores a gerir a segurança da informação, incluindo a competência do pessoal.

O que é jamming e spoofing de GNSS?

Jamming é bloquear o sinal: o recetor deixa de ter posição. Spoofing é enganar o recetor com um sinal falso: a aeronave mostra uma posição ou uma hora erradas, sem aviso óbvio.

O spoofing é o mais perigoso dos dois. Pode afetar o sistema de alerta de terreno, o relógio e a navegação, e o recetor pode demorar mais de 30 minutos a recuperar depois, segundo um documento de trabalho da IFALPA e de outras organizações na Assembleia da ICAO de 2025.

Com que frequência acontece?

Cada vez mais. Os dados de voo partilhados pelas companhias com a IATA mostram que as perdas de sinal GPS por 1.000 voos passaram de 28,1 em 2021 para 57,1 em 2025 (dado provisório). Entre 2021 e 2024, os eventos aumentaram 220%.

IATA, GNSS Interference Safety Risk Assessment V6, fev. 2026 · 2021–2025, 2025 provisório

IATA, GNSS Interference Safety Risk Assessment V6, fev. 2026 · 2021–2025, 2025 provisório

Desde 2024, a taxa está acima do dobro do valor de 2021.

No Báltico, a percentagem de voos afetados subiu de cerca de 7,5% em maio de 2024 para 27,4% em abril de 2025. Em algumas regiões de informação de voo passou os 42%. Os dados foram apresentados à ICAO por seis Estados da região.

Em outubro de 2025, a Assembleia da ICAO condenou a Rússia e a Coreia do Norte pela interferência GNSS, considerando-a uma infração à Convenção de Chicago.

O que recomenda a EASA aos pilotos?

O boletim de segurança da EASA sobre GNSS (SIB 2022-02, revisão R3, julho de 2024) recomenda:

  • Incluir jamming e spoofing no treino recorrente.
  • Reportar logo ao controlo de tráfego aéreo.
  • Avaliar o efeito da perda de GNSS no alerta de terreno.
  • Não despachar para zonas afetadas com sistemas de recurso inoperativos.
  • Planear procedimentos que não dependam de GNSS e confirmar a posição por outros meios.
  • Em caso de spoofing, vigiar a incerteza da posição estimada e comparar a hora do GNSS com outras fontes.

A revisão R4, de julho de 2026, acrescentou fraseologia padrão entre pilotos e controladores, e passou a cobrir os EFB. Em março de 2026, a EASA e a EUROCONTROL publicaram um plano de ação conjunto, com orientações atualizadas para tripulações e controladores.

O que é a Part-IS e a quem se aplica?

A Part-IS é o conjunto de regras da EASA sobre segurança da informação na aviação. Tem duas fases, segundo a EASA:

Regulamento Aplica-se desde A quem
Regulamento Delegado
(UE) 2022/1645
16 de outubro de 2025 Organizações de projeto e produção, operadores de aeródromo, serviços de gestão de placa
Regulamento de Execução
(UE) 2023/203
22 de fevereiro de 2026 Operadores aéreos, organizações de formação, manutenção, navegação aérea, autoridades

As organizações abrangidas têm de ter um sistema de gestão da segurança da informação, avaliar riscos, reportar incidentes significativos à autoridade em até 72 horas e garantir que o pessoal tem a competência necessária.

Porque é que isto diz respeito aos pilotos e não só à informática?

Porque muitos riscos chegam ao cockpit. O ADS-B transmite sem encriptação, o que o torna vulnerável, segundo um documento de trabalho apresentado na Assembleia da ICAO de 2025. Os EFB são tablets ligados a redes. E a Collins Aerospace mostrou, em setembro de 2025, que um ataque de ransomware a um fornecedor pode parar o check-in de vários aeroportos ao mesmo tempo.

No relatório de ameaças de 2025 da ENISA, os transportes foram o segundo setor mais visado na UE, com 7,5% dos incidentes. Dentro dos transportes, 58,4% dos incidentes foram no transporte aéreo.

A ICAO pede, na Resolução A42-19, “formação contínua de profissionais qualificados e competentes” em aviação e cibersegurança. Em abril de 2026, a IFALPA pediu aos operadores avaliações de risco, formação e procedimentos claros para cenários de GNSS corrompido.

Qual é o papel do report?

É a primeira defesa. O Regulamento (UE) 376/2014 obriga o comandante a reportar ocorrências em até 72 horas. A EASA e a IATA usam esses reportes para mapear onde e como a interferência acontece. Um evento não reportado não entra nas estatísticas e não ajuda o próximo piloto.

O que aprende quem faz a Introdução à Cibersegurança em Aviação para Pilotos?

O programa foi criado com a APPLA (Associação dos Pilotos Portugueses de Linha Aérea) e segue a Part-IS. Não é um curso de informática: trata os riscos do ponto de vista de quem voa.

  • GNSS spoofing e jamming: reconhecer, confirmar, reportar
  • ADS-B, ACARS e EFB: onde estão as vulnerabilidades
  • Cultura de report e o que a Part-IS exige aos operadores
  • Para pilotos comerciais licenciados e OOV, incluindo quem ocupa ou quer ocupar cargos de Postholder, Safety Manager ou Compliance Monitoring Manager

Formato: 40 horas online, com aulas ao vivo com formador, em regime pós-laboral: 3 vezes por semana, das 18h30 às 21h30, compatível com as escalas de voo. Turmas de 12 pilotos. No fim, o participante recebe o certificado do curso.

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Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre jamming e spoofing?

Jamming bloqueia o sinal GNSS. Spoofing substitui-o por um sinal falso, que mostra uma posição ou hora erradas.

A Part-IS aplica-se às companhias aéreas?

Sim. Desde 22 de fevereiro de 2026 aplica-se aos operadores aéreos certificados na UE, entre outras organizações.

Preciso de saber programar para fazer este curso?

Não. O programa é operacional, pensado para pilotos e OOV, não para técnicos de informática.

Onde é mais comum a interferência GNSS na Europa?

No Báltico e no Leste europeu. Os seis Estados que reportaram à ICAO localizam os emissores em Kaliningrado, Pskov, São Petersburgo e Smolensk.

Fontes

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